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PARCEIROS
Publicado em 18/03/2014, às 09:59, por Jefferson Souza.

Com o tema “Família: caminhar com a luz de Cristo e a sabedoria do Evangelho”, acontecerão a 6ª Peregrinação Nacional da Família e o 4º Simpósio, nos dias 24 e 25 de maio, em Aparecida (SP). O evento pretende reunir peregrinos de todo o país com a proposta de refletir sobre a realidade da família brasileira. Em 2013, participaram da peregrinação mais de 150 mil pessoas. A expectativa da organização é superar esse número na edição deste ano.

Para o bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom João Carlos Petrini, são esperadas muitas famílias das dioceses e comunidades próximas ao Santuário Nacional. Ele destaca que o Simpósio é uma oportunidade de formação.

“É um momento muito importante, não somente para rezar e apresentar as necessidades das nossas famílias à Virgem Maria, mas também para refletir e aprofundar sobre a nossa caminhada e perceber como a luz de Cristo pode iluminar a nossa realidade cotidiana de vida em família”, ressalta.

Diante dos desafios da vida em família, dom Petrini acredita “ser uma ilusão viver sem Deus”. Para o bispo, questões como a violência representa o distanciamento da família da prática espiritual. “A família cresce e se desenvolve tecnologicamente, mas perde em humanidade. Hoje constatamos muita solidão e tristeza. As famílias devem retornar ao desígnio de Deus e a Ele”, aponta.

Reflexão
Segundo dom Petrini a peregrinação nacional, além de ser espaço de formação, confraternização e aprofundamento das questões da família, possibilita visibilidade das famílias brasileiras que estão comprometidas com os valores humanos e cristãos. “A peregrinação é uma oportunidade de mostrar para a sociedade que tem muita gente que deseja ser família assim como Deus a imaginou, exatamente para ser uma fonte de alegria, de felicidade e realização humana”, explica.

O tema proposto para o evento quer refletir com os participantes sobre a vivência da espiritualidade em família, tendo como referências a luz de Cristo e o Evangelho. “Não podemos viver somente com aquilo que nos oferecem. Precisamos de um ponto de referência maior, para sermos permanentemente alimentados na capacidade de amor, de doação e serviço recíproco no interior da família e na sociedade”, enfatiza dom Petrini.

Entre os conferencistas convidados estão o bispo de Palmas-Francisco Beltrão (PR) e doutor em Ciências Bíblicas, dom José Antônio Peruzzo, que irá tratar da espiritualidade da família, e a poetisa, Adélia Prado, que dará seu testemunho sobre a vida em família.

Caravanas
A Comissão motiva as dioceses para que organizem suas caravanas rumo ao Santuário Nacional que está preparando uma estrutura de qualidade para atender as famílias peregrinas. As atividades do Simpósio serão realizadas no Centro de Eventos Padre Vítor, nas imediações da Basílica.

No domingo, 25, uma missa será celebrada no Santuário, às 8h, com transmissão pela TV Aparecida. Também está prevista a apresentação da orquestra de jovens do Santuário durante o 4º simpósio.

Com informações da CNBB
Publicado em , às 09:54, por Jefferson Souza.

Na Missa desta terça-feira, 18, Papa Francisco refletiu sobre o tempo da Quaresma, que a Igreja vive à espera da Páscoa. Ele comentou que este é um período para conversão, para ajustar a vida e aproximar-se de Deus. Francisco também alertou os fiéis sobre o perigo da hipocrisia, de querer “mascarar-se” de santo.

Citando a Primeira Leitura do dia, em que Deus chama à conversão duas “cidades pecadoras” (Sodoma e Gomorra), Francisco explicou que isso evidencia que todos precisam mudar de vida. Ele lembrou que a Quaresma é justamente esse “ajuste” de vida, mas Deus quer uma aproximação sincera e alerta sobre a hipocrisia.

“O que fazem os hipócritas? Mascaram-se, disfarçam-se de bons: rezam olhando para o céu, fazendo-se ver, sentem-se mais justos que os outros, desprezam os outros. ‘Mas – dizem – eu sou muito católico, porque meu tio foi um grande benfeitor, a minha família é essa e eu sou…eu aprendi…conheci o bispo tal, o cardeal tal, o padre tal…eu sou’. Sentem-se melhores que os outros. Esta é a hipocrisia”.

Mas o Senhor diz ‘não’ a essa atitude hipócrita, destacou o Papa. É preciso aproximar-se de Deus para não ser cristão maquiado, que, quando passa essa aparência, vê-se que na verdade não são cristãos.

O Santo Padre retomou a Primeira Leitura e indicou o que é preciso fazer para que isso não aconteça. A resposta vem do próprio Deus: “Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! Aprendei a fazer o bem!” (Is 1, 16-17).

O sinal de que se está no caminho correto é, segundo Francisco, ajudar o oprimido, defender a viúva, cuidar do próximo, do doente, daquele que tem necessidade, como relata a Palavra. O Papa explicou que os hipócritas não sabem fazer isso, porque estão muito cheios de si mesmos para olhar para os outros.

Estas ações não constituem toda a conversão, observou o Papa, porque se converter, de fato, é encontrar-se com Jesus, mas são sinais de que se está com Cristo.

“O sinal de que estamos afastados do Senhor é a hipocrisia (…) O Senhor dê a todos luz e coragem: luz para conhecer o que acontece dentro de nós e coragem para nos convertermos, para nos aproximarmos do Senhor. É belo estar próximo d’Ele”.

Com informações de Canção Nova Notícias
Publicado em 12/03/2014, às 12:46, por Jefferson Souza.

“Sobre os ombros dos gigantes. A grande variedade de nossa fé contempladas com os padres da Igreja Latina”, é o tema escolhido neste ano pelo pregador do Papa, Frei Raniero Cantalamessa, para as meditações de Quaresma no Vaticano.

Durante cinco sextas-feiras, a partir desta semana, o pregador da Casa Pontifícia irá dedicar as tradicionais pregações do tempo quaresmal à reflexão das obras dos padres da Igreja.

O Papa Francisco e os membros da Cúria Romana não estarão presentes na primeira pregação, devido ao Retiro que realizam em Ariccia durante essa semana.

Na próxima sexta-feira, 21, a meditação acontecerá na Capela Redemptoris Mater do Palácio Apostólico, em presença do Papa e seus colaboradores.

Segundo o pregador do Papa, as meditações serão feitas a partir das obras de Santo Agostinho, Santo Ambrósio, São Leão Magno e São Gregório Magno.

Frei Raniero comenta que será um momento para rever todas as grandes verdades da fé. “Os padres latinos, devido as diversas heresias que tiveram que enfrentar, desenvolveram bem o relacionamento entre a lei e a Graça, sobre a justificação, sobre a Igreja, os Sacramentos e outros”, afirma Cantalamessa.

De acordo com o pregador, meditar sobre a vida destes grandes nomes da Igreja, não significa olhar somente para a Doutrina, mas ver a mensagem profética deixada por eles.

“Olhar para frente com esperança, não só para vida eterna, mas também com esperança terrena: a de que a crise vai passar e as diversas crises no mundo, porque Deus é fiel e Ele governa o mundo”, conclui Frei Raniero Cantalamessa.

Com Informações de Canção Nova Notícias
Publicado em , às 12:32, por Jefferson Souza.

A Comissão de preparativos para a Jornada Mundial da Juventude 2016 (JMJ), divulgou a data oficial do evento. Os poloneses receberão em Cracóvia, jovens de todo o mundo nos dias 26 a 31 de julho. Foi definida também a data da “pré-jornada”, que será realizada nos dias 20 a 25 de julho e recebeu o nome de “Jornadas das Dioceses”.

O Arcebispo de Cracóvia, Cardeal Stanislaw Dziwisz, havia divulgado anteriormente que a JMJ teria início no dia 25 de julho, porém, as novas datas foram ajustadas com os dias da pré-jornada.

Na terça-feira, 26 de julho, será realizada a cerimônia de abertura, o chamado Festival da Juventude. De quarta-feira, 27, a sexta-feira, 29 de julho, as catequeses. Na quinta-feira, 28, está prevista a acolhida do Papa, e na sexta-feira à noite, 29 haverá a Via-Sacra.

No Sábado, 30, será realizada a vigília, e no domingo, 31, a Missa de encerramento com o envio e o anúncio da próxima edição internacional da JMJ.

A Comissão, por meio do site oficial, informa que são esperados mais de 2 milhões de jovens. Para as “Jornadas das Dioceses” a expectativa é de 300 mil jovens percorram as 43 dioceses do país.

O país sede da Jornada Mundial da Juventude 2016 foi anunciado pelo Papa Francisco no dia 28 de julho de 2013, na Missa de Encerramento da JMJ, no Rio de Janeiro.

Com informações de Canção Nova Notícias
Publicado em 25/02/2014, às 12:13, por Victor Hugo Vieira.
Os cenários nas sociedades contemporâneas merecem atenção e tratamento especial por parte de todos, particularmente das lideranças políticas, governamentais e religiosas. Estes cenários estão marcados pela banalização crescente da dignidade humana, que favorece atos de delinquência, trazendo prejuízos irreversíveis. A perda do sentido autêntico da pessoa tem sido um vetor determinante do esvaziamento da consciência individual e coletiva. Aí está uma incontestável e perene fonte da violência, da corrupção e dos mais diversos tipos de manipulações - de coisas, instituições e pessoas.

A gravidade dessa situação atinge o núcleo da consciência moral que deve sustentar cada pessoa no desabrochamento de sua conduta, pautada no mais relevante sentido de respeito ao outro. No coração humano há uma lei inscrita pelo próprio Deus, no fundo da própria consciência. É uma lei que o homem não impôs a si mesmo, mas à qual ele deve obedecer, como uma voz que está chamando-o ao amor, ao bem. Quando o indivíduo perde a competência para ouvir esta voz, se encontra às portas do mal. A perda e esvaziamento da consciência moral são, pois, o impulso determinante que faz nascer o delinquente.

Criminosos, dos mais variados tipos, escutam outra voz que determina a submissão interesseira à idolatria do dinheiro, ao entendimento do prazer como fonte de manipulação e lucro. Essa voz alimenta a ganância que inaugura a cada momento uma corrida desenfreada, pautada na disputa, que faz de cada um inimigo do outro. Essa delinquência está nas violências de todo tipo, inclusive nos radicalismos políticos e fundamentalismos religiosos, arregimentando muita gente aos extremos, equivocada e lamentavelmente convencidas de estarem mais próximas da verdade, sentindo-se no direito de produzir, segundo seus critérios, os ordenamentos necessários, e a implantação de uma justiça que é cega e incapaz de estabelecer a verdadeira dignidade que configura e define a pessoa.

O princípio sagrado e intocável da dignidade humana não permite que cada pessoa se pense como absoluta, edificada por si mesma, sobre si mesma e de si mesma dependente. A sociedade contemporânea está sendo levada por dinâmicas que estão alimentando reducionismos muito perigosos. Isso compromete o entendimento do sentido de dignidade, gera um enfraquecimento da fraternidade e incapacita para a solidariedade. Lamentável é o entendimento da consciência moral com a simples função de aplicação de normas gerais aos casos individuais da vida. A decomposição da consciência moral deve inspirar uma “trincheira” guerreando por sua recuperação. No caminho oposto, corre-se o risco de se produzir colapsos em série que inviabilizarão o futuro das sociedades. Crescerão as barbáries e os descompassos regerão a vida cotidiana, que se tornará, impulsionada pelo frenesi da vida moderna e das ganâncias, um lento suicídio coletivo, atingindo culturas, tradições e pessoas.

É preciso eleger como prioridade a permanente recomposição da consciência moral individual e comunitária. O inadequado tratamento dessa primazia é a produção de delinquências praticadas, tanto por “engravatados” quanto por “maltrapilhos”. Deve-se investir, de modo sério e profundo, em toda a esfera psicológica e afetiva de cada pessoa, bem como nos múltiplos contextos do ambiente social e cultural. Esse investimento, portanto, há de ter cada pessoa como destinatária. Seu encaminhamento concreto indica que o conjunto da sociedade precisa ser mapeado e tratamentos específicos precisam ser disponibilizados. Assim será possível alcançar um processo educativo e de recuperação dessa consciência moral perdida. Esse mapeamento se desdobra em vários capítulos, cada um com a tarefa de sensibilizar e buscar contribuições para resgatar pessoas e qualificar a cidadania.

Capítulo determinante desse processo são as reflexões sobre a realidade carcerária do Brasil, com seus 500 mil presos, em condições de contínua e acentuada perda da consciência moral, em razão das dinâmicas e das condições dos presídios. Uma realidade que envolve muitas situações, de diferentes matizes, e gera grande preocupação pelo que se está produzindo. O sistema prisional tem feito surgir contextos inadequados, atingindo famílias, presos que não deveriam estar no cárcere e até aqueles de alta periculosidade. Uma situação que se agrava diante da grande comunidade atingida por compreensões equivocadas ou ineficazes sobre a prioridade de se recuperar pessoas, permitindo-lhes recompor a consciência moral.

Esse capítulo, entre outros mapeamentos que a sociedade brasileira precisa considerar, é prioridade do Vicariato Episcopal para Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte, com sua Pastoral Carcerária, e de experiências exitosas como as Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APACs), instituições que estão em diálogo com a sensibilidade social e comprometimento da ministra Cármen Lúcia Antunes, do Supremo Tribunal Federal. Um trabalho necessário pela certeza de que o Estado precisa de ajuda. É preciso o envolvimento de instituições especializadas em humanidade para recuperar dignidades e superar delinquências.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Colunista do Portal Ecclesia. (+ artigos)
Arcebispo de Belo Horizonte (MG). Doutor em teologia bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (Itália). Mestre em ciências bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma (Itália).
Publicado em , às 12:11, por Victor Hugo Vieira.
Quando percebiam a presença do rabino Eleazar, o homem de Birta, os coletores de esmolas se escondiam porque ele lhes dera tudo o que possuía. Um dia, o rabino foi à feira comprar um dote para a sua filha. Os coletores de esmolas o perceberam e se esconderam. Mas ele se pôs a correr atrás deles:

- Eu vos conjuro, de que boa obra vos ocupais? 

- De um órfão e de uma órfã...

- Pelo culto do templo! – respondeu ele. - Que passem na frente da minha filha!

Ele pegou tudo o que levava e lhes deu. Ficou com uma única moeda. Comprou trigo, foi ao alto do celeiro e o atirou.

– Que te trouxe o teu pai? – perguntou sua mulher à filha.

– Tudo o que tinha atirou no celeiro.

A mulher foi abrir a porta do celeiro. Ela viu que ele estava cheio de trigo, a ponto de escaparem grãos pelas frestas da porta, que nem se abria, tanto era o trigo... A filha foi à sala de estudos, onde o pai lia o Talmude, e lhe disse: Vem ver o que fez por ti Aquele que te ama!

Ele lhe disse: Pelo culto do Templo! Esse trigo será sagrado para ti. Só usarás dele uma parte igual a cada pobre de Israel...

Uma história de grande generosidade premiada, mais ainda, pela graça de Deus. Todos poderíamos contar algum caso semelhante. Existem situações nas quais as pessoas conseguem doar algo sem medir as consequências, simplesmente por se sentirem tocadas pelas necessidades do outro. Em geral, as campanhas promovidas para socorrer pessoas, famílias e, às vezes, países inteiros, marcados por calamidades, conseguem bons resultados. Quando quer, o coração humano consegue se colocar, ao menos por alguns momentos, na situação sofrida do irmão e decide ajudar. No entanto, tenho certeza, saberíamos lembrar também muitos exemplos contrários. 

Quantas vezes tomamos conhecimento de casos dolorosos e, imediatamente, encontramos o responsável pela desgraça. Tudo para lavar as nossas mãos. Os noticiários estão recheados de desastres, chacinas, acidentes, ações terroristas. Os estudiosos da mídia dizem que as cenas de violência, verdadeiras ou reconstruídas nos filmes e seriados, são tantas, que acabamos não só misturando realidade e ficção, mas também nos acostumando. Respiramos violência, sofrimento e morte. Ficamos insensíveis e assim, logo, apagamos tudo da nossa memória. Verdade e mentira.

Preocupados com a educação das crianças, alguns países chegaram a proibir a venda de armas de brinquedo. Outros procuram controlar o uso de armas e a sua venda, organizam campanhas para o desarmamento da população. São todas ações louváveis se acompanhadas por uma educação à paz e à convivência pacífica. Somente se tivermos bons sentimentos saberemos respeitar a vida e os direitos dos outros. Com efeito, se cultivamos ódio no coração, qualquer objeto pode se transformar numa arma para machucar, ferir e até matar o irmão. Em geral, desde criança, aprendemos a nos defender dos outros. Depois crescemos, mas dificilmente desaprendemos aquilo que se ensina até no jogo de futebol: que a melhor defesa é o ataque! Só que a vida não é um jogo.

No evangelho deste domingo, Jesus nos pede para mudar a nossa maneira de pensar e de agir. Segundo o nosso bom senso, o bem feito a quem nos prejudica é um inútil excesso de bondade que nos faz parecer medrosos e bajuladores. O amor aos inimigos é um absurdo ou algo de simplesmente impossível. Inimigo é para ser derrotado e humilhado. Ter “sangue de barata” é uma vergonha. E assim poderíamos continuar. 

Talvez, graças a Deus, não passamos a nossa vida brigando com todo o mundo, mas ajudar, fazer o bem, também acaba perdendo sentido para nós. Não é por nada que os últimos papas nos alertam sobre a “globalização da indiferença” e nos convidam a trabalhar para a “globalização da solidariedade”. Talvez não tenhamos tantos inimigos para odiar, mas também temos pouquíssimos amigos para amar. Menos ainda queremos ter irmãos para ajudar.

O amor ao próximo não pode ser reservado a casos extraordinários, deveria ser o jeito “ordinário” da nossa vida de cristãos. Só assim o celeiro do nosso amor ficará sempre transbordante. Como o do rabino. 

Dom Pedro José Conti
Colunista do Portal Ecclesia. (+ artigos)
Bispo de Macapá (AP). Estudou filosofia e teologia no seminário da diocese de Brescia, na Itália. Doutor em engenharia eletrônica no Politécnico de Milão, na Espanha.
Publicado em , às 12:08, por Victor Hugo Vieira.
Muitas vezes temos diante das bulas de remédios, outras são as longas orientações anexas aos muitos aparelhos eletrônicos. Nem sempre lemos tudo isso, ainda que saibamos o quanto são úteis para nossa vida. Os eventuais efeitos secundários de medicamentos usados indevidamente podem trazer consequências graves, e o desconhecimento de possibilidades oferecidas pelos recursos tecnológicos limita o pleno aproveitamento dos mesmos. Quanto à saúde não são supérfluas ou indiferentes as prescrições constantes nas receitas médicas. 

E a vida cristã comporta receitas? É possível encontrar um tipo de manual, com o qual caminhar com mais segurança na estrada da perfeição cristã? O Senhor põe à nossa disposição prescrições destinadas à nossa saúde espiritual? Para responder a esta pergunta, é bom lembrar-nos que, ao criar-nos com o precioso dom da liberdade, Deus quis assentar-se conosco à mesa da vida (Cf. Ap 3,20), para que acolhamos seu convite e abramos a porta do coração. Como somos obra prima de sua criação, é claro que Ele oferece o que existe de melhor para os que são feitos filhos e filhas. O ponto de partida para a viagem da vida é que Deus nos leva a sério e nos fez livres, para sermos felizes, como Deus é feliz.

O Catecismo da Igreja Católica começa com a feliz constatação de que o ser humano é “capaz de Deus” (Cf. números 27-35). De fato, “Deus não cessa de atrair o homem para si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso”. Através dos múltiplos sinais, começando pela sede de infinito existente no coração humano, o Senhor atrai para perto de si os homens e mulheres de todos os tempos, o que se torna fonte de alegria para todos. Vale a pena conhecer a busca incessante existente no coração das pessoas inquietas, que querem saber mais, conhecer, descobrir estradas novas!

Quando a Sagrada Escritura relata a entrega dos mandamentos ao Povo de Deus (Lv 19,1-2.17-18), inclui um convite provocante: “O Senhor disse a Moisés: Dirás a toda a assembleia de Israel o seguinte: ‘sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”. Quando a Igreja se prepara para a canonização de dois Papas de nosso tempo, João XXIII e João Paulo II, faz muito bem saber que é possível percorrer o caminho da santidade. Mais ainda, é bom saber que é o melhor para todos. Não fomos feitos para chafurdar-nos na lama do pecado e do egoísmo, mas para a felicidade, a comunhão com Deus e uns com os outros. São Paulo (Cf. 1 Cor 3,16-23) usa uma feliz expressão, com a qual se identifica a presença contínua de Deus em nossa vida: “Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” Não dá para fugir! Como Deus não tem duas palavras, Ele está sempre perto de nós e, de sua parte, vai sempre insistir em que respondamos ao seu amor. Primeiro item de nossa “receita”: é possível caminhar na direção da perfeição e esta se chama santidade!

Para alcançá-la, não se trata de fazer um caminho de heroísmo individual, mas de guardar a Palavra de Deus. De fato, é perfeito o amor de Deus em quem guarda sua palavra (Cf. 1Jo 2,5). Manter um diálogo constante com Deus, escutar sua Palavra que se encontra na Escritura e sua voz presente no grande Livro que é a vida! Para ser santos, antenas do coração e da inteligência ligadas nos grandes sinais de Deus.

E a Palavra do Evangelho (Mt 5,38-48), no Sermão da Montanha, desdobra um verdadeiro mapa da estrada da santidade, com itens extremamente práticos. Trata-se de seguir as orientações! Ao encontrar-nos em situações desafiadoras, não resistir ao mau, oferecer a outra face, ou a túnica, quem sabe mais mil passos, ou não fugir de quem pede dinheiro emprestado, amar os inimigos, fazer o bem aos que nos odeiam, orar pelos que nos perseguem. É natural nossa reação: seremos inativos ou tolos diante de quem nos agride? Trata-se, sim, de acreditar na força da não-violência, escolher os verdadeiros caminhos alternativos, com os quais se desmonta a trama da maldade. A paciência diante das agressões, a opção pela escuta dos que pensam de modo diferente, enxergar o lado das outras pessoas nas questões mais delicadas exige muito mais força e coragem do que quebrar e destruir tudo que estiver à nossa volta.

Jesus sabia muito bem quais seriam as reações ao seu discurso e que estas ressoariam através dos séculos no interior das pessoas. Por isso mesmo, ofereceu o modelo para este novo modo de encarar a vida. Trata-se de olhar para o Pai do Céu, e basta ver o sol ou a chuva, que servem a bons e maus, justos e injustos! Estupenda e desafiadora simplicidade! Pagar o mal com o mal não é novidade. É fácil! “Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?” (Mt 5, 47). Revolucionário é trazer para a terra o modo de viver que é próprio de Deus. Perfeição é uma ação do próprio Deus no coração do discípulo. Maior a docilidade, mais o Espírito Santo poderá agir em nós.

A proposta do Evangelho é de grande atualidade, pois nos possibilita criar, num mundo agressivo e violento, bolsões de vida mais digna e respeitosa. As famílias e as comunidades cristãs podem começar a ser diferentes. O exercício da gratuidade no relacionamento, a capacidade de gastar tempo para ouvir as pessoas, o cultivo de valores, como a simplicidade no trato ou a civilidade de novo cultivada. De forma muito prática, os cristãos exercitarão e ajudarão muitas outras pessoas a descobrirem que na vida social não se pode apenas e tão somente exigir direitos, mas há deveres a serem cumpridos e com os quais construímos a civilização. Se não nos cuidarmos, há um risco de verdadeira barbárie bem perto de nós, mas se começarmos a caminhar contra a correnteza do egoísmo, a mudança já começou, e para melhor.

Basta olhar ao nosso redor. Pode começar com o cumprimento mais polido aos vizinhos, para alcançar o cuidado dos estudantes com as carteiras escolares, ou as lixeiras conservadas e utilizadas em nossos espaços públicos, a superação da agressividade no trânsito e daí por diante! 

A casa que é a Igreja será o lugar da formação e do intercâmbio de experiências, onde as pessoas são chamadas a compartilhar suas experiências de vida, alimentar-se do próprio Deus e rezar umas pelas outras. Como sabemos muito bem de nossas limitações, peçamos ao próprio Pai do Céu que nos ajude: “Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações”.

Dom Alberto Taveira Corrêa
Colunista do Portal Ecclesia. (+ artigos)
Arcebispo de Belém do Pará (PA). Estudou filosofia e teologia no Seminário Coração Eucarístico de Jesus e na PUC Minas, em Belo Horizonte. Realizou estudos em espiritualidade sacerdotal, no Instituto Mystici Corporis em Roma.
Publicado em , às 12:02, por Victor Hugo Vieira.
Parece que o mundo moderno acentuou demais a importância da pessoa individual. O subjetivo tornou-se um valor imprescindível. Em grande parte é isso mesmo. A auto-realização virou um ideal de plenificação. Não podemos mais repreender uma criança quando ela diz: “este brinquedo é meu”. É um estado de alma que permite fazer crescer a auto-estima. Devemos achar isso certo. Mas com isso corremos o risco de realçar o isolamento. Cada um carrega consigo uma propensão de se encerrar num círculo, ao qual ninguém tem acesso. Quase nos tornamos anacoretas psicológicos. Não seria o medo de alguém roubar a nossa felicidade? Na verdade tal atitude nos empobrece. Não podemos ser corujas solitárias. (Ou você já viu um bando de corujas?) Como filhos de Deus nós carregamos em nós uma tendência impossível de anular. O Criador é um ser comunitário, porque vive na Trindade. “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn. 1, 16). A nossa inclinação para a convivência com o semelhante faz parte da nossa natureza.

Jesus, para fortalecer seus discípulos na fé, reuniu-os em comunidade. A Igreja nascente, desde o começo, é um ente comunitário. Já não sois peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef. 2, 19). Por isso, a preocupação de São Paulo foi de fundar comunidades em toda a parte. Desde cedo São Bento reuniu os monges, que procuravam viver a perfeição cristã, em comunidades religiosas. Os Bispos, sucessores dos Apóstolos de Cristo, reuniram os Fiéis em Dioceses e Paróquias. Os próprios Leigos sempre aspiraram a agrupamentos para fortalecer a fé, tais como Associações, Ligas, Congregações, Pastorais, Irmandades...”Ao que anda sozinho o lobo pega”, diz o povo. Uma entidade, a Paróquia, parecia ter se tornado um peso morto e inútil. Agora está voltando à vida plena, porque quer dar um salto de qualidade. No Brasil, ela não é mais pensada como uma grande comunidade, cujos membros se reúnem na Matriz. Mas se considera a mãe de inúmeras outras pequenas comunidades: grupos de reflexão, círculos bíblicos, associações, grupos de oração, capelas, visitadores domiciliares, evangelizadores...A Paróquia renovada é a mãe que reúne todos os filhos da grande família.

Dom Aloísio Roque Oppermann
Colunista do Portal Ecclesia. (+ artigos)
Arcebispo emérito de Uberaba, MG. Realizou seus estudos no convento da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Estudou filosofia em Brusque (SC) e cursou teologia em Taubaté (SP).